A Porto Editora, a
Igualdade de Género e os PréConceitos de cada um/a de nós...
Há
dias escrevi no meu facebook sobre a polémica noticia dos livros da Porto
Editora, na sequência de uma noticia da Sic quanto as ditos (http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-23-Governo-recomenda-retirada-de-livros-polemicos-da-Porto-Editora),
expressando o meu agrado na recomendação do Governo à editora em retirar os
cadernos de atividades do mercado por se considerar que contêm estereótipos de
género que, de forma evidente, condicionam os interesses das crianças.
Nunca
me considerei feminista, pois, apesar de defender o empoderamento individual de
cada pessoa e considerar que todos/as devem aceder de forma igual aos seus
direitos e cumprir de forma igual os seus deveres achei sempre que as mulheres
- grupo sub-representado nesta matéria - não tem de ser tratado de forma
diferente mas sim igual. Ou seja, considero que a conquista de direitos e
deveres iguais passa pela alteração da legislação, hábitos e ideologias na sua
génese, mais do que apelar em favor de determinado grupo.
No
entanto, naquele dia, com base no que ia sendo noticiado, expressei o meu
contentamento com a tomada de posição do Governo e, ao mesmo tempo o meu
descontentamento por sentir que há grupos a lutar para que o País dê um
passo em frente enquanto outros tomam atitudes que nos fazem dar dois passos
atrás. Nem me apercebi do meu erro...
É
que, meia dúzia de dias mais tarde, ao ver um trecho do Programa "Governo
Sombra"(https://sol.sapo.pt/artigo/578031/ricardo-ara-jo-pereira-brinca-com-a-polemica-do-livro-infantil-acusado-de-sexismo-video)
onde o Ricardo Araújo Pereira - humorista que admiro sobretudo pelo
conhecimento diversificado que demonstra nos comentários que faz -
iluminou-se-me o pensamento e até cheguei a sentir uma certa 'vergonha' do meu
pensamento obtuso que resulta dos condicionamentos da sociedade. Note-se que
não culpo a sociedade neste caso mas a mim mesma que deixei que me limitassem o
pensamento com base em noticias tendenciosas.
Ora,
já estava eu a tomar uma posição sem antes ouvir o que havia dito o homem
"eh pah, ó Ricardo... eu até te curto mas se vens com machismos elimino-te
das minhas listas de preferências..) quando decidi ver o video. Vi uma primeira
vez e fiquei a pensar que devia ver a segunda com uma mente mais isenta.
Como poderão ver no video, o Ricardo traz exemplos dos exercícios
que constam dos livros, que me levaram a questionar afinal que tipo de
exercicios é que constam nos livros e, pior, que comunicação social é a nossa
que passa a ideia de uns livros promotores de desigualdades quando depois
aparece outra versão da história. Já havia reparado na propaganda tendenciosa
de alguns jornais ultimamente, chegando a demonstrar a falta de isenção e
clareza de alguns assuntos, e esta situação leva-me a pensar novamente na forma
de 'fazer noticia' atual e que acho, deveria ser repensada por parte dos
principais jornais do país. Mas não era isto que queria trazer até aqui, antes
o tema preconceito!
Com efeito, as desigualdades de género vêm-se mantendo sempre tão
marcadas, apesar dos esforços em reverter essa herança cultural, que acabamos
por cair nós mesmas (as mulheres) no papel que antes cabia à sociedade em geral
e aos homens. Acabamos tanto por estereotipar as massas como em vitimizar-nos a
nós mesmas. Apesar dos livros possuírem (ainda assim) uma carga estereotipante
elevada, não podemos cair nos radicalismos habituais, onde limitamos a
liberdade individual de cada pessoa, caindo na boa graça das ‘recomendações’,
das sugestões dissimuladas e da maledicência. Caí eu nesse erro…
Sempre achei que a verdade e justiça prevalece pela forma como a
colocamos em prática. Nesta matéria como em qualquer outra, poderá a defesa
igualdade sobressair e conquistar-se pela informação, pela prática diária e
pela educação. Mais do que uma recomendação do Governo para a retirada dos tais
livros, devia – acima de tudo – criar-se verdadeiras politicas de promoção da
igualdade de género, começando pela educação não só das crianças nesta matéria
mas junto de grupos de pais e mães, dos/as educadores/as informais e formais e
pela criação de uma legislação verdadeiramente equalitária, exigindo-se o
respeito pelas mesmas e a sua prática corrente no dia-a-dia, junto das
autoridades competentes na matéria (aqui lembro-me das questões da violência
doméstica, assunto que deixo para outro dia).
Considero então que, devemos permitir-nos pensar sobre tudo o que
ouvimos antes de tomar partidos, antes de condenar e condicionar o próximo. Porque,
já é velha a frase “a tua liberdade termina onde começa a minha” e os limites
da liberdade de uns/umas e de outros/as são tão ténues que nem nos apercebemos
quando estamos a passar a linha que as separa…
Achei que valia a pena escrever sobre isto… 😉
Comentários
Enviar um comentário